por Ernesto Franzen

PANTANO GRANDE, RS – Não se encontra muitos pilotos agrícolas mais experientes do que Vitor Hugo Nitz; formado no IV CAVAG, o qual ocorreu em 1970 na cidade de Pelotas, Nitz voou por 30 safras sem nenhum acidente! Nitz só consegue se lembrar de ter pego dois fios e ter tido dois pousos forçados por panes, em ambos dos quais tirou o avião voando do local após a solução da pane. “Foi muita sorte”, diz modestamente.

Do seu CAVAG até 1985, Nitz passou por empresas que marcaram a história da era de ouro da aviação no Brasil, como a Agroar, a Corsário, a Coopagriu, a Samoa, a Nacional e a Astral (esta última operando até hoje). Nestas, Nitz acumulou experiência em Piper Pawnee, Cessna Agwagon, nos Rockwell Thrush e Quail Commander, em Grumman Ag-Cats de 450 e 600 HP e no Ipanema EMB-201. Embora tenha voado principalmente no arroz e no soja do Rio Grande do Sul, Nitz chegou a voar em Santa Helena de Goiás pela Corsário e a fazer o translado de um Thrush Commander de Albany, Geórgia, EUA, até o Brasil – obviamente, antes do advento do GPS.

Foi na Astral, onde entrou em 1978, que Nitz voou o Ipanema pela primeira vez (um 201) e onde conheceu Valdomiro Schramm. Valdomiro estava trabalhando como técnico para custear seus cursos de pilotagem, e naquele ano mesmo formou-se  piloto agrícola no XII CAVAG. Em junho de 1983, Valdomiro concluiu o curso Agricultural Pesticide Ground School na Ayres Flight School, em Albany, Geórgia. Juntos, em 1986, adquiriram um EMB-200A, o PT-GEL e fundaram a Nitz Aviação Agrícola, em Pantano Grande. Logo adquiriram outras duas aeronaves, o EMB-201 PT-GGU e o EMB-200 PT-GBJ (o décimo Ipanema de série), logo transformado em 200A.
A região de Pantano Grande

 Pantano Grande se situa no centro do estado do Rio Grande do Sul, a cerca de 118 km de Porto Alegre. A Nitz Aviação Agrícola opera em um raio de 50 km de Pantano Grande, em cerca de dez pistas, basicamente para a mesma carteira de clientes desde sua criação. Estando operando no mesmo local por tanto tempo, Nitz e Valdomiro podem avaliar as mudanças no perfil da safra da região. No início, segundo eles, havia mais áreas de soja do que de arroz. No entanto, após algum tempo, as áreas foram ficando com alto índice de ervas daninhas, demandando o uso de tantos herbicidas a ponto de ficarem inviáveis para o cultivo da soja. Depois de um período de predominância do arroz, observa-se agora um retorno da soja, causado pelo aumento do seu preço no mercado internacional, e pela soja Roundup Ready, que viabilizou economicamente o controle das invasoras. Muitos sojicultores, segundo Nitz, abandonaram áreas na região norte do estado para voltar a Pantano Grande recentemente. A região se caracteriza por ter muitos lavoureiros em áreas pequenas – o tamanho da área média voada pela Nitz é de 50 hectares.

Sem medo de inovar

Voando os mesmos aviões desde 1986, pode parecer que a Nitz é uma daquelas empresas que cristalizaram seus modos de operação. Longe disso! Depois de introduzir o DGPS em 2000, a necessidade de maior produtividade na aplicação de uréia e nas semeaduras de arroz pré-germinado levou Nitz e Valdomiro a buscar nos EUA um Cessna Agtruck e a equipá-lo com um Swathmaster Gaúcho da Transland. Este avião, comprado em Dixon, na Califórnia e hoje com o prefixo PT-FFD, na verdade é um astro de cinema; trata-se do Agtruck usado no filme “O Resgate”. Em 2001 surgiu uma oportunidade para se voar em Unaí, Minas Gerais, com isso houve a natural decisão de adquirir mais um Cessna Agtruck.

Embora os Cessnas tenham melhorado a produtividade na aplicação de sólidos, Valdomiro achava que algo ainda podia ser feito quanto a aplicação de líquidos. Assim, a Nitz Aviação Agrícola acabou adotando a tecnologia de aplicação em baixo volume com atomizadores rotativos Micronair AU5000LD, da Agrotec. Foi necessário trabalhar os clientes, com testes extensivos, que provaram no decorrer dos trabalhos a eficiência deste equipamento (para maiores informações, veja “Aplicações Aéreas em Baixo-volume com Atomizadores Rotativos no Brasil: Novos Avanços”, AAU-LA Maio/Junho 2004). Hoje, a empresa dispõe de uma gama de alternativas para aplicações, visando usuários  que estão em busca de maior rentabilidade, com as facilidades oferecidas pelo DGPS (as quatro aeronaves da empresa estão equipadas com três Satloc Lites e um LiteStar). É prevista para breve a chegada do primeiro controle automático de fluxo, o qual garantirá a uniformidade das aplicações, dado o pequeno tamanho das areas na região.

 Após trinta safras, Nitz parou de voar agrícola, dedicando-se mais a cuidar da manutenção das aeronaves.Valdomiro, com vinte e cinco safras, continua na ativa e junto de uma equipe técnica (Alexandre Schramm e Batista Longaray) segue cuidando da qualidade das aplicações da empresa. Sem medo de inovar, e com a experiência de profissionais tarimbados, Nitz e Valdomiro fizeram de sua empresa um sucesso.