Mirim Aviação Agrícola Ltda. – 30 anos de profissionalismo e qualidade no arroz

Ricardo Volkweiss Lopes sorri para a câmera de AAU após voar para nossa foto de capa.

por Ernesto Franzen

PELOTAS, RS – A Lagoa Mirim, situada no extremo sul do Brasil, é fonte de água para a irrigação do arroz em vários municípios. A empresa aeroagrícola que leva seu nome é inusitada em que ela não é gerenciada por um piloto-proprietário, mas por um administrador profissional, Claudio Coutinho Rodrigues, seu gerente pelos últimos doze anos.

Claudio foi um dos sócio-fundadores, de uma família de arrozeiros. Em abril de 1977, quando o negócio do arroz no sul do Brasil se expandia (e com ele a aviação agrícola), eles decidiram comprar um Ipanema e contratar um piloto para tratar seu arroz. Logo descobriram que tinham tempo ocioso, e começaram a prestar serviços para outros lavoureiros.

Daí para uma empresa completa, foi só questão de tempo. E uma empresa muito profissional; a Mirim Aviação Agrícola Ltda. sempre foi conhecida pela qualidade e pontualidade de seus serviços. A satisfação do cliente é seu objetivo número um. Para isto, o envolvimento de todos os empregados é fundamental. De tempos em tempos, a diretoria da Mirim reúne toda a equipe para discutir e definir objetivos operacionais. Quando estes são alcançados ou superados, um bônus é pago aos empregados – trata-se to PPR, Programa de Participação de Resultados.

Intimamente ligada à indústria do arroz na região que lhe deu o nome, não surpreende que a Mirim tenha tido seus altos e baixos junto com ela. Em baixa desde o final dos anos 90, o clima agora é de otimismo: a Mirim viu um crescimento de 17,3% em relação à safra anterior. Nada menos do que 84% da área voada pela Mirim é arroz. Um pouco menos de 16% é soja e uma área “mínima” é de pastagens, conforme Claudio Coutinho.

Hoje em dia, a frota da Mirim inclui sete Ipanemas, três dos quais são EMB-202, dois EMB-201R (o 201A retrofitado com o hopper de 950 litros) e dois EMB-201A em configuração original. Um dos 201A não opera regularmente, mas é deixado como avião reserva. Os seis aviões operando normalmente são atendidos por oito técnicos – os dois técnicos extras costumam ir para as pistas mais distantes enquanto os aviões voam atendidos por outros, evitando que os aviões percam tempo aguardando chegada de técnico na pista. Estas aeronaves operam de três bases fixas: Pelotas, Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar, atendendo clientes também em Capão do Leão, Rio Grande, São Lourenço, Turuçú, Jaguarão, Herval e Pedro Osório.

Os pilotos da Mirim merecem uma menção especial. Enquanto a maioria das empresas mantém vínculos informais com seus pilotos, desde o início a Mirim contratou seus pilotos como empregados formais. E lhes dá plano de saúde, benefício incomum neste mercado. Isto deve funcionar bem, porque resultou em uma rotatividade muito pequena dos pilotos: José Larentis voa para a Mirim há 28 anos, Wendelino Fang há 14 anos, Sílvio Antônio Kempfer e Antonio Carlos Carvalhal há 13 anos e o “novato” Ricardo Volkweiss Lopes com “apenas” sete anos na casa – mas ele está prestes a completar 30 anos de aviação agrícola! Outros pilotos são contratados por safra, conforme a necessidade estimada para cada safra.

O compromisso com a qualidade fez com que verificações regulares da calibração dos aviões sejam rotina na Mirim. Mas, à medida em que a área de arroz diminuía e a concorrência de outras empresas aumentava, maior produtividade se fez necessária para manter a empresa lucrativa. Um cuidadoso ajuste dos bicos e a precisão do GPS permitiram à Mirim aplicar herbicidas em vazões de 20 e 10 lts/ha com faixa de 16 metros e fungicidas e inseticidas com 17 ou 18 metros, quando até poucos anos atrás, 40 e 30 lts/ha eram a norma, e todas as aplicações eram com faixas de 15 metros. Isto permitiu à Mirim atingir produtividades próximas a 70 hectares por hora voada – ainda mais impressionante quando se sabe que isto inclui a uréia! E como se não bastasse, as vazões de uréia usuais subiram nestes últimos anos, de 60 a 70 kg/ha para 100 a 120 kg/ha. Estas só são viáveis com o uso dos Swathmasters Gaúchos da Transland, que permitem faixas de 23 a 25 metros mesmo nestas altas vazões.

A Mirim foi a pioneira no uso do GPS no sul do Brasil, com um WAG Flagger na safra 1998-99, mudando depois para o Trimble. No começo, a Mirim adquiriu as caras unidades topo de linha, mas depois, Claudio Coutinho percebeu que os lavoureiros não estavam mais pedindo os mapas de aplicação. Como seus experimentados pilotos sempre faziam bons trabalhos, Claudio desistiu de verificar os mapas ele mesmo, e trocou os GPS pelas unidades mais básicas, sem o recurso de mapeamento, como medida de redução de custos.

Claudio Coutinho está perfeitamente satisfeito com o Ipanema como avião agrícola. A Mirim teve um Air Tractor AT-401 nos anos 90, para voar nos maiores clientes. Mas estes acabaram por comprar seus próprios aviões ou pararam de plantar arroz, assim o perfil típico do cliente da Mirim mudou. Hoje, a área média tratada por aplicação da Mirim fica em torno de 80 hectares, para os quais o Ipanema é bem adequado. Mas Claudio Coutinho planeja à frente; ele acredita que com a tecnologia BVO (Baixo Volume Oleoso), será possível, com o uso de atomizadores rotativos, aplicar herbicidas em vazões de 6 a 7 lts/ha. Nestas vazões, um Ipanema poderá cobrir aquela área típica de 80 hectares com uma única carga, voando direto da base, ganhando em produtividade e cortando custos com as camionetes de apoio.

Buscando soluções inovadoras para reduzir custos ao mesmo tempo em que aumenta a qualidade de seus serviços, a Mirim certamente manterá seus clientes satisfeitos pelos anos que virão.